Estamos acostumados a acreditar em uma sociedade que não existe.

19/02/2018

 

 

 

 

 

Estamos acostumados a acreditar em uma sociedade que não existe.

 

Acreditamos que tudo para os outros está indo bem, todas as marcas estão nadando em dinheiro e esbanjando sucesso, todo mundo de blazer é bem sucedido, quem tira foto da colcha branca com uma caneca de café em cima está feliz, tranquilo e realizado, que o cabelo de todas as pessoas na internet está impecável simplesmente porque nasceram seres lustrosos e superiores, que a maquiagem das outras não craquela e que os lábios não levantam pelinha.

 

A realidade é que ninguém quer que os outros vejam a própria realidade.

 

Me deparei alguns minutos atrás com um pensamento crucial que me motivou a escrever essa postagem, a primeira do blog da marca, não com um cunho de entretenimento ou de contar novidades, mas sim de gerar uma reflexão.

 

O pensamento foi o seguinte: o Instagram da marca, esse blog, o site e os outros meios são repletos de frivolidades.

(Sim, estou fazendo uma crítica à minha própria marca, no meu próprio veículo de comunicação).

 

Expandi minha amostragem e fui ver as "coisas" dos outros (posso estar generalizando, mas acredito que o bom brasileiro caça referências até na feira).

 

Com a expansão das mídias sociais, como meio de comunicação e transmissão de notícias, essas plataformas se tornaram uma grande vitrine surrealista de vidas não vividas.

 

Se a pessoa (hipotética mas comum) está sendo fotografada andando, sorrindo, na calçada com desnível, de salto agulha, por uma máquina HD megazord ultra master nítida e "photoshopada" até na orelha, cara, sinto lhe informar, ela não está apenas andando na rua e foi pega num photoshoot surpresa.

E outra, nem está tão feliz assim (é muito difícil ser feliz de salto agulha em uma calçada com desnível, tenta aí e me conta se não acredita em mim).

 

"Mas Pip, é o trabalho dela, ela está posando".

 

Exatamente! É aí que eu queria chegar.

 

Não existe problema algum em ela estar usando um casaco da Chanel de pelo sintético em Paris em plenos 35 graus, ou em menor escala, de estar sorrindo em uma selfie deitada na cama toda maquiada com a #nomakeup.

 

O problema é que ela está posando e nós esquecemos disso. Inconscientemente acreditamos que aquilo é felicidade, é sucesso, é vitória e que a vida dessas pessoas é melhor do que a nossa.

 

Já ouviram a expressão "é tão linda que nem parece que caga?".


Essa aspiração a uma perfeição inexistente e inatingível está nos alienando diariamente e constantemente, toda vez que abrimos as mídias sociais.

 

É perfeitamente normal não estar feliz todos os dias, nem maquiada, nem em um evento importante ou viajando para um país exótico.

Ninguém está! Mas todos esperam e acreditam que o próximo esteja (ainda mais quando é uma figura pública) e isso causa um extremo desconforto e questionamento interno, a ponto de acreditarmos que somos "anormais".

 

Está na hora de prestar atenção que aquele café da foto pode estar aguado e que modelos também suam.

Está na hora de parar de acreditar em tudo que as pessoas são pagas para dizer e prestar atenção nos relatos verdadeiros das pessoas, nas opiniões bem fundamentadas. Na realidade por trás das aparências, no que o Instagram não mostra.

Está na hora de pararmos de repetir e almejar uma vida que não existe, nos contentarmos com o que existe e corrermos atrás do que podemos realizar, sem focar tanto na validação externa como fim (likes).

Está na hora de pensarmos no que acontece antes e depois da foto que vemos.

Está na hora de discutirmos, de levantarmos problemas, de não julgarmos e de termos empatia pelo próximo, tão humano quanto você, tão real quanto você (por mais que as vezes você não sinta que seja).

 

Está na hora de sermos menos críticos com nós mesmos e de pararmos de nos cobrar tanto.

 

Estamos acostumados a acreditar em uma sociedade que não existe. 

Está na hora de parar.

 

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